13 julho 2008

"O Diário de um Cão"



1 Semana Hoje Faz uma semana que nasci! Que Alegria ter chegado a esse Mundo!

1 Mês Minha mãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar.

2 Meses Hoje me separaram de mamãe. Ela estava muito inquieta e com seus olhos disse adeus, esperando que minha nova "família humana" cuidasse bem de mim, como ela havia feito.

4 Meses Cresci muito rápido, tudo chama a minha atenção. Há várias crianças na casa que são como meus "irmãozinhos". Somos muitos levados, eles me jogam uma bola e eu os mordo jogando.

5 Meses Hoje me castigaram, minha dona se zangou porque fiz "pipi" dentro de casa..., mas nunca me disseram onde eu deveria fazer. E como eu durmo na "recamara"(deve ser um lugar fechado) e...! eu não agüentei !!!

6 Meses Sou um cão feliz. Tenho o calor de um lar, sinto-me seguro e protegido... Creio que minha família humana me ama muito... Quando estão comendo me convidam, o pátio é somente para mim e eu estou sempre cavocando, como os meus antepassados lobos, quando escondiam a comida. Nunca me educam, seguramente porque não faço nada de errado.

12 Meses Hoje completei 1 ano. Sou um cão adulto e meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulhosos devem estar de mim!!!

13 Meses Como me senti mal hoje... Meu "irmãozinho"tirou a minha bola. como nunca pego seus brinquedos fui atrás dele e o mordi. Mas como meus dentes estão muito fortes, machuquei-o sem querer. Depois do susto me prenderam e quase não posso me mover para tomar um pouco de sol. Dizem que sou ingrato e que vão me deixar em observação (certamente não vacinaram)... não entendo nada do que está acontecendo.

15 Meses Tudo mudou... vivo preso no pátio... na corrente... me sinto muito só... minha família já não me quer. Às vezes esquecem que tenho fome e sede e quando chove não tenho teto que me cubra.

16 Meses Hoje me tiraram da corrente. Pensei que tinham me perdoado... fiquei tão contente que dava saltos de alegria e meu rabo parecia um molinete. Parece que vou passear com eles. Subimos no carro, atrelamos o carreto e andamos um grande trecho quando pararam. Abriram a porta e eu desci correndo, feliz, crendo que era um dia de passeio no campo. Não entendo porque fecharam a porta e se foram. "Esperem"!!! lati.. "esqueceram de mim...!!!". Corri atrás do carro com todas as minhas forças... minha angústia aumentou ao perceber que o carro se afastava e eles não paravam. Tinham me abandonado...

17 Meses Procurei, em vão, achar o caminho de volta para casa. Sento-me no caminho, estou perdido, algumas pessoas de bom coração me olham com tristeza e me dão algo de comer. Eu agradeço com um olhar do fundo da minha alma... quisera que me adotassem. eu seria leal como ninguém. Porém eles apenas dizem "pobre cãozinho, deve estar perdido".

18 Meses Outro dia passei por uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus "irmãozinhos". Cheguei perto e um grupo deles, dando risadas. atirou-me uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria"... uma dessas pedras atingiu um dos meus olhos e desde então não enxergo com ele.

19 Meses Parece mentira mas quando eu estava mais bonito as pessoas se compadeciam mais de mim... Agora que estou fraco, com um aspecto bem mudado... perdi meu olho, as pessoas me tratam a pontapés quando pretendo-me deitar na sombra.

20 Meses Quase não posso me mover. Hoje, ao atravessar a rua por onde passam os carros, um deles me atropelou. Pelo que sei, estava num lugar seguro chamado "sarjeta", mas nunca vou me esquecer do olhar de satisfação do motorista. Oxalá tivesse me matado... porém só me deslocou a cadeira. A dor é terrível, minha patas traseiras não me respondem e com dificuldade me arrastei até uma moita de ervas fora da estrada. Já fazem 10 dias que estou em baixo do sol, chuva e frio, sem comer. Não posso me mover, a dor é insuportável. Sinto-me muito mal, estou em um lugar úmido e parece que meu pêlo está caindo. Algumas pessoas passam e não me vêem; outras dizem: "não te aproximes". Já estou quase inconsciente, porém uma força estranha me fez abrir os olhos. A doçura de sua voz me fez reagir. "Pobre cãozinho, veja como te deixaram", dizia... junto a ela estava um senhor de roupa branca que começou a tocar-me e disse: "Sinto muito senhora, mas esse cão já não tem remédio, o melhor é que deixe de sofrer."A gentil dama consentiu, com os olhos cheios de lágrimas. Como pude, mexi o rabo e olhei para ela agradecendo por me ajudar a descansar... Senti somente a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em porque nasci, se ninguém me queria... Chorei, chorei, chorei...



Fim

Esse texto me fez refletir mto e cheguei a conclusão que só poderemos mudar o futuro desses bichinhos... educando nossos filhos... ensinando eles a amar e respeitar todos os seres vivos!

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